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O Canadá fala ao mundo

No dia 25 de fevereiro de 1945, foi ao ar um novo programa internacional de radio. Vários países estavam em guerra, mas uma promessa de paz despontava no horizonte. Numa época sombria, onde entretanto ainda havia esperança, a voz do primeiro-ministro W. L. Mackenzie King dava as boas vindas aos ouvintes desse novo programa transmitido em ondas curtas, que pretendia divulgar o Canadá e sua ótica sobre o que acontecia no mundo. Nascia assim o serviço internacional da Radio Canadá, atualmente conhecido como Radio Canadá Internacional.


Edifício da Radio-Canada em Montréal

A idéia de criar uma radio internacional no Canadá nasceu em 1930. Vários estudos encomendados pelo Conselho de Administração da CBC (Sociedade Radio Canadá) indicavam que o Canadá precisava de um serviço de rádio que apresentasse ao mundo o ponto de vista canadense. No começo dos anos 40, essa necessidade também era identificada por uma serie de comissões parlamentares sobre a transmissão de radio. Finalmente, em 1942, o primeiro ministro King anunciou que o Canada ia dar inicio a um serviço de radio transmissão em ondas curtas dirigido aos membros de suas forças armadas, com notícias e programas de entretenimento do país. O serviço internacional da Radio Canada se concretizou com a assinatura de um despacho oficial no dia 18 de setembro de 1942.

A implantação do novo serviço foi um longo e árduo trabalho, que se estendeu pelos próximos dois anos e meio subsequentes. Uma das primeiras dificuldades a serem contornadas foi a decisão de onde instalar seus estúdios e centro de transmissão. Os estúdios foram instalados no edifício da Rádio Canadá em Montreal, enquanto que o centro de transmissão foi implantado em Sackville, no Novo Brunswick. Montreal era o lugar ideal para instalar os estúdios porque a Rádio Canadá já tinha ali um centro de produção muito ativo, assim como vários apresentadores de língua inglesa e francesa disponíveis para animar os programas. Sackville foi escolhida depois de uma análise meticulosa sobre as relações de rádio entre Canadá e Europa. Durante o ano de 1943, dois transmissores de 50 KW e uma rede de antenas foram construídas.


Os transmissores de Sackville (N.-B.) em 1945

No final de 1944, o equipamento de produção e os transmissores estavam prontos para os testes de difusão. Esses testes, que começaram no dia 25 de dezembro de 1944, foram transmitidos em francês e inglês para as tropas canadenses na Europa. Apesar dessas difusões serem apenas um teste dos transmissores, uma pequena audiência fiel composta de militares canadenses e europeus começou a se formar. Os testes prosseguiram por mais dois meses, até que os transmissores e seus contatos com os estúdios estivessem prontos para um serviço efetivo. No começo de 1945, anunciou-se que o serviço internacional da Rádio Canadá estava pronto. Ele foi inaugurado oficialmente no dia 25 de fevereiro.

A seguir: A voz do Canadá de 1945-1955
 

História publicada no documento escrito por Andrew K Finnie para a Rádio Canadá (1996)

A voz do Canadá de 1945-1955

Os primeiros anos do serviço internacional da Rádio Canadá foram marcados pelo rápido crescimento da organização e da audiência. Em 1945, quando entraram no ar, os programas eram transmitidos em inglês, alemão e francês. Todos eram produzidos para a Grã-Bretanha e para o resto da Europa ocidental, em um total de 6 horas diárias de programação. Desde o começo, a nova estação conquistou uma audiência internacional. Os relatórios de escuta da época indicam que o serviço internacional em ondas curtas tinha o sinal mais claro de toda a América do Norte.

O sinal não foi a única razão da popularidade do novo serviço. A qualidade dos programas foi um dos principais fatores que determinaram esse sucesso. Baseado na sua missão de informar o mundo sobre a vida e a cultura do Canadá, o serviço internacional produzia peças de teatro, revistas de atualidade, comentários e programas musicais. Um dos programas mais populares em Inglês chamava-se Crônica Canadense. Era um programa diário de 15 minutos que destacava jornalistas e comentaristas canadenses famosos. Cada programa era uma verdadeira vitrine da personalidades e acontecimentos marcantes da atualidade do Canadá. Os tema abordados eram os mais variados possíveis. Os ouvintes podiam tanto escutar uma entrevista com Wilfrid Eggleston ou George Ferguson sobre a atualidade quanto uma reportagem sobre uma feira de gado da região das Pradarias pelo cronista agrícola Hugh Boyd. Acima de tudo, a Crônica Canadense respondia sempre a uma pergunta: 'Como é a vida no Canadá?'

Programas similares eram transmitidos em francês e em alemão. Os programa em francês ofereciam um leque muito variado de temas que iam da história da língua francesa a analises políticas, de resumos dos jornais do dia a matérias sobre economia, ciências ou aviação do Canadá. O serviço alemão também tinha uma grade de programação bem variada. Ele apresentava programas sobre os esportes, a música e a cultura do Canadá. Für die Frau (Para Mulher), uma revista feminina, era um dos programas em alemão mais populares.

Em 1946, o serviço internacional já tinha aumentado sua área de cobertura e transmitia regularmente em checo e holandês. Em julho, programas semanais especiais eram transmitidos para os países escandinavos, primeiro em sueco e em dinamarquês, e depois em norueguês. Em novembro, começou a transmissão diária para as Antilhas em inglês, e aos domingos à noite, para a América Latina em espanhol e para o Brasil em português. Os programas diários em espanhol e em português começaram a ser transmitidos no dia 6 de julho de 1947. Na mesma época em que se deu sua expansão para o Caribe e para a América Latina, o serviço internacional da Rádio Canadá estabeleceu suas relações com a recém criada organização das Nações Unidas. Como era uma das raras emissoras de rádio internacional da época, o serviço internacional foi requerido como o transmissor do programa diário das Nações Unidas. Esses programas eram produzidos nos estúdios da rádio da ONU em Lake Success, no estado de Nova York, nos Estados Unidos, e alimentados por linha telefônica para os transmissores de Sackville. Essas transmissões se revelaram cruciais para a ONU depois da Segunda Guerra Mundial e durante a Guerra da Coréia, quando a organização precisou divulgar seu ponto de vista para o mundo. As transmissões das Nações Unidas, por intermédio do serviço internacional da Rádio Canadá, continuaram até 29 de novembro de 1952, quando foram transferidas para as instalações mais potentes da Voz da América.

O serviço internacional continuou a se desenvolver. Em meados de 1947, deu-se início a um serviço em inglês dirigido a Austrália e a Nova Zelândia. Em janeiro de 1949, o serviço italiano começou suas atividades, e um programa semanal em finlandês foi criado em dezembro de 1950. O serviço internacional pode até se orgulhar de ter contado com um repórter que acabou tendo um papel considerável na história do Canadá. Esse repórter foi Réné-Levesque, que apresentava vários programas para o serviço em francês. Trinta anos mais tarde, Réné-Levesque se tornou primeiro-ministro da Província do Quebec.

Ao longo dos anos que se seguiram a sua criação, o serviço internacional se dedicou a transmitir para a Europa Oriental, que vivia as sequelas da Segunda Guerra Mundial. No começo dos anos 50, a Guerra Fria dominou a Europa do Leste. De repente, milhões de pessoas perderam qualquer possibilidade de ouvir uma apresentação objectiva da situação mundial. Vários serviços de transmissão de rádio internacionais, incluindo o serviço internacional da Rádio Canadá, começaram a dirigir seus programas para os países da cortina de ferro, afim de informar suas populações do que acontecia no mundo 'livre'.

O serviço internacional já transmitia em checo e em eslovaco quando uma secção russa foi criada em janeiro de1951. A esse serviço seguiu-se a criação da seção ucraniana, em setembro de 1952, e do serviço em polonês, um ano mais tarde. Os canadenses que falavam essas línguas e, eventualmente, cidadãos dos países do leste europeu, transmitiam regularmente notícias sem censura, comentários e reportagens sobre o Canadá e sobre a Europa do Leste. Junto com outras emissoras de rádio internacionais, o serviço internacional levava esperança a uma população que não tinha nenhuma outra fonte de informação do género.

História publicada no documento escrito por Andrew K Finnie para a Rádio Canadá (1996)

Um sinal mais potente

Nos anos 60 e no começo dos anos 70, a missão e a estrutura administrativa do serviço internacional da Rádio Canadá mudaram bastante. Essas mudanças começaram com uma abrangente reorganização do serviço em maio de 61. Diante de um inesperado corte de orçamento, a SRC decidiu que não era mais tão importante transmitir para a Europa Ocidental. Era preferível transmitir mais para a Europa do Leste, que com certeza precisava urgentemente de notícias e programas de atualidades.

Com sua verba reduzida, o serviço internacional não podia mais manter os vários serviços em língua estrangeira que já existiam há tanto tempo e ainda desenvolver sua cobertura nos países da cortina de ferro. Em março de 1961, os serviços em dinamarquês, holandês, italiano, norueguês e sueco encerraram suas transmissões. Além disso, o serviço em Alemão mudou de orientação e em vez de se concentrar na Alemanha Ocidental passou a se dedicar a Alemanha Oriental. Programas em francês para a África foram acrescentados à grade, aumentando assim a cobertura do serviço internacional a todos os continentes, com exceção da Ásia (que no entanto era coberta pelo serviço inglês transmitido para o sul do Pacífico)

Nos anos 60, o serviço internacional da Rede Canadá imprimiu um tom mais personalizado a seus programas. A direção achava que sua mensagem seria melhor transmitida se fosse apresentada de maneira mais familiar. Essa abordagem rendeu ao serviço internacional a fama de "o amigo das ondas curtas". Milhares de ouvintes acolhiam com entusiasmo seus amigos das ondas Maryse Reicher e Earle Fisher, apresentadores do Correio dos Ouvintes em francês e em inglês. Um programa de música country foi criado nessa época: Country Style. O serviço internacional apresentava até um programa chamado A Escolha do Apresentador, durante o qual os ouvintes podiam pedir músicas que seriam tocadas no ar.

O serviço internacional da Rádio Canadá viveu um momento histórico com a inauguração de um terceiro transmissor em Sackville, em 2 de setembro de 1962. Quando esse transmissor de 50 KW começou a operar, a cobertura para a Europa e para a África melhorou sensivelmente. Ele também permitiu aumentar o número de horas de transmissão na grade já existente. Pela primeira vez, as transmissões de Sackville puderam ser dirigidas para duas regiões alvo segundo a necessidade de cada uma. Esse tipo de serviço entrou efetivamente em atividade em setembro de 1964, com uma transmissão simultânea para a Europa e para os Estados Unidos.

O serviço internacional teve um papel muito importante na cobertura da comemoração do centenário do Canadá, em 1967. Cerimônias realizadas do Atlântico ao Pacífico foram retransmitidas em ondas curtas para o mundo inteiro em primeiro de julho de 1967, data em que se comemorou o primeiro século do Canadá como membro autônomo da Comunidade Britânica. Durante todo o ano anterior, o serviço internacional tinha transmitido programas que falavam da história do Canadá com foco especial nos acontecimentos que levaram à formação da confederação canadense. O serviço também lançou um concurso cujo prêmio eram 12 viagens para Montreal para visitar a Expo 67, com todas as despesas pagas. O tema do concurso era o mesmo da exposição internacional: A Terra dos Homens.

Durante a Expo 67, vários programas em ondas curtas destinados à Europa e Estados Unidos foram transmitidos do centro de radiodifusão do serviço internacional da Rádio Canadá, nos seus estúdios na exposição. Assim, os ouvintes puderam ter uma idéia dos acontecimentos e das atrações que integravam a exposição internacional. Além disso, o serviço internacional da Rádio Canadá era a emissora internacional oficial, que permitia que outras rádios internacionais utilizassem a sua logística na Expo para gerar seus próprios programas sobre a exposição e o Canadá em geral.

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História publicada no documento escrito por Andrew K Finnie para a Rádio Canadá (1996)

Ondas curtas e mais

A RCI é conhecida como o reflexo do Canadá nas ondas curtas. O serviço sempre investiu na promoção de artistas canadenses. Por exemplo, paralelamente ao lançamento de seu serviço em ondas curtas, o serviço internacional criou uma gravadora musical. Era a primeira vez que se exportava a música e o músicos canadenses pelo mundo afora. A primeira das mais de 1000 gravações das Suite Canadense de Claude Champagne e do Concerto em Dó Menor interpretado por Healy Willan foi produzida em 1945 num disco de 78 rotações. Glenn Gould, Oscar Peterson, André Laplante, Louis Lortie e vários outros gravaram suas obras (alguns pela primeira vez) com o selo RCI.

Em 1967, por ocasião do centenário do Canadá, um dos projetos da RCI foi publicar álbuns intitulados Músicas e Músicos do Canadá sob o "selo vermelho" da Rádio Canadá. Um outro grande empreendimento foi a edição de 40 volumes da Antologia da Música Canadense, uma coleção prestigiada que apresentava as obras dos principais compositores canadenses. A maioria dessas gravações era dos arquivos da Rádio Canadá Internacional. Em 1991 essa antologia valeu à RCI o prêmio de lançamento do ano do Conselho Canadense da Música.

Anterior: A Fênix renasce das cinzas 1991-1995

História publicada no documento escrito por Andrew K. Finnie para a Rádio Canadá (1996)

A Fênix resnasce das cinzas 1991-1995

Depois dos cortes de pessoal e de programação de 1991, a Rádio Canadá Internacional teve que ser adaptar ao que restara e começou a se planejar par ao futuro, esperando poder um dia voltar a funcionar a capacidade total. De fato, com o passar dos anos, certas reduções acabaram se transformando em novas aquisições.

A RCI pudera conservar seus meios de produção, o que lhe permitiu manter operacional um equipamento necessário para assegurar uma grade completa de programação. Um passo decisivo foi feito nessa direcção em outubro de 1991, quando a RCI recomeçou a produzir dois de seus antigos programas: Spectrum e As Actualidades Canadenses. Transmitidos durante a semana para a Europa, a África e o Oriente Médio, esse dois programas eram dedicados aos assuntos públicos e às opiniões emitidas no Canadá.

Um ano mais tarde, o serviço em inglês foi capaz de acrescentar mais duas produções realizadas em seus estúdios da RCI à sua programação: Artes no Canadá e Inovação Canadá. Em 28 de março de 1993, uma grade completa de programas em francês e em inglês produzidas pela Rádio Canadá Internacional, foi novamente ao ar. O Malote Postal e Observação da Terra, em inglês, e o Correio dos Ouvintes e Ciências e Meio-Ambiente, em francês, estavam entre eles. Complementando esses programas, a RCI continuou transmitindo uma seleção de produções das redes CBC e Rádio Canadá como Acontece Assim e A Semana na Radio.

Em 1992 a RCI assumiu a produção de programas para a Rede das Forças Armadas Canadenses, depois do fechamento de seus estúdios em Lahr, na Alemanha. A rádio da Rede das Forças Armadas Canadenses oferecia a milhares de militares do pais programas de notícias e variedades canadenses. Inicialmente, todos esses programas eram transmitidos pelas estações da rádio das Forças Armadas espalhadas pelo mundo. Em 1993, a RCI acrescentou aos seus programas transmitidos em ondas curtas para a Europa, a África e o Oriente Médio uma produção chamada A Revista dos Boinas Azuis Canadenses em inglês e em francês. Em 1994, esse programa também passou a ser transmitido para o Caribe e América Latina.

No plano técnico, a RCI continuou a fechar acordos de permuta de tempo de transmissão com outras emissoras de rádio internacional, como a Rádio Áustria Internacional (Moosbrunn), a Voz da Alemanha (Wertachtal na Alemanha), Rádio Pequim (Xiang na China), Rádio Coréia (Kimjae) e Rádio Monte-Carlo (Cap Greco em Chipre). Além disso, os retransmissores da RCI em Daventry foram transferidos no começo de 1992 para Skelton, também na Grã-Bretanha.

Anterior: Uma radio de alcance mundial 1971-1991
A seguir: Ondas curtas e mais

História publicada no documento escrito por Andrew K. Finnie para a Rádio Canadá (1996)

Uma radio de alcance mundial

De 1971 a 1991, a RCI conheceu um período de crescimento e expansão tanto no plano técnico quanto na programação. Um novo equipamento de produção, transmissores mais potentes e serviços em novas línguas foram integrados. A RCI se transformou em um serviço de alcance mundial com um impacto muito superior à sua estatura.

O primeiro evento de expressão aconteceu em 7 de novembro de 1971, com a inauguração de novos transmissores de 250 KW, cinco vezes mais potentes que as unidades utilizadas até então. Esse avanço proporcionou uma sensível melhora do sinal da RCI na Europa e na África. Mais tarde, outras três unidades foram adicionadas, o que permitiu à RCI uma cobertura global completa.

Apesar dos novos transmissores, havia ainda regiões onde o sinal da RCI ainda não era muito potente. Desde 1966, algumas regiões do continente africano eram cobertas pelos retransmissores da rede BBC localizados em Daventry, no Reino Unido. Transmissores suplementares cobriam a Europa do Leste desde 1967, e até antes, se forem considerados os anos de testes. Esses retransmissores eram tão eficientes que finalmente a RCI decidiu comprá-los da rede BBC em Daventry. Era a primeira vez que a RCI adquiria equipamentos fora da América. Para integrar complemente os novos transmissores à rede da RCI, estabeleceu-se uma conecção satélite entre os estúdios da RCI de Montreal e de Daventry. Os ouvintes puderam perceber imediatamente a melhora da qualidade da difusão feita a partir de Daventry.

A experiência de Daventry levou a RCI a considerar a difusão de seus programas a partir de transmissores localizados próximos às regiões visadas. Em 1972, a RCI fechou um acordo com a Radio alemã Deutsche Welle para utilizar seus transmissores em Sines, em Portugal, para difundir os programas da RCI para a União Soviética. Os transmissores de Sines eram administrados por uma filial da Detsche Welle, a Rádio Transeuropa. Em vez de pagar a Rádio Transeuropa pela retransmissão, a RCI propôs uma solução original. Ela ofereceu à Deutsche Welle o mesmo tempo de uso de seus transmissores de Sackville. As emissoras alemãs aceitaram imediatamente a permuta, porque assim elas poderiam ter um sinal muito mais claro para a difusão de seus programas nos Estados Unidos e no Caribe.

Até 1972, todos os programas de RCI eram transmitidos diretamente do edifício da Rádio Canadá no centro de Montreal. Conforme a tecnologia evoluiu, no entanto, as instalações dos estúdios da Rádio Canadá foram ficando obsoletas. A rede doméstica da Rádio Canadá decidiu então se transferir para um novo edifício, a Maison Radio Canada, que estava sendo construída originalmente para acolher apenas a rede nacional. Mas acabou ficando evidente que a RCI também tinha que se transferir para as novas instalações.

Numa operação digna das manobras das forças militares de elite, a Rádio Canadá se transferiu de armas e bagagens para a Maison Radio Canada no fim de semana de 17 e 18 de junho de 1972. Embora tivesse que transferir as 11 seções de língua estrangeira e todo o seu equipamento de produção, a RCI não deixou de apresentar nenhum de seus programas durante todo esse fim de semana. O primeiro programa da RCI a partir dos novos estúdios foi transmitido para a Europa, os Estados Unidos e o Caribe na segunda-feira, 19 de junho, às 8:15 da manhã.

A RCI passou a ocupar os 4 primeiros dos 23 andares do prédio, perto dos estúdios radiofônicos. Nessa época, o edifício Maison Radio Canada era uma das unidades de produção mais modernas do mundo, com 26 estúdios de rádio, uma central de coordenação e um estúdio de televisão em cores de três andares.

No final de 1975, a RCI decidiu começar a transmissão regular de programas não produzidos pela empresa. Anteriormente, em algumas ocasiões, a RCI já havia retransmitido programas produzidos pela rede doméstica da Rádio Canadá. Agora, a RCI planejava transmitir regularmente o boletim de notícias The World at 6 e uma parte do programa de assuntos públicos As it Happens para a audiência americana. O sucesso obtido nos Estados Unidos foi tão grande que esses programas abriram caminho a várias outras produções da rede doméstica da CBC/SRC na grade de programação da RCI.

No final de 1979, a RCI transmitia diariamente sete horas de programação para a América do Norte, cinco horas e meia para a América do Sul, quatro para a África, uma para o Oriente Médio, cinco e meia para a Europa Ocidental e quatro horas e meia para a Europa do Leste. Os programas eram transmitidos em onze línguas: inglês e francês, espanhol, português, alemão, russo, ucraniano, polonês, checo, eslovaco e húngaro. A maioria desses programas eram transmitidos de Sackville, e as difusões para a África e Europa também eram retransmitidas de Daventry, Sines e Berlin.

Durante os anos 80, a Rádio Canadá reafirmou sua reputação de uma das emissoras de rádios mais dignas de confiança no mundo. A cobertura ininterrupta para a Europa do Leste, principalmente no final da década, embora modesta, contribuiu para propagar os ventos de mudança que sopravam nos países da cortina de ferro nessa época. As transmissões para os Estados Unidos, para o Caribe e para a América Latina foram incrementadas. No outono de 1985, os três transmissores de 50 KW de Sackville foram substituídos por modelos mais potentes de 100 KW. Isso contribuiu para melhorar o sinal da RCI para a América Latina e o Caribe.

Ao longo dos seus primeiros 39 anos, a RCI tinha como principal preocupação a difusão de programas para o sul e o leste do Canadá. Em 1984, a Rádio decidiu se voltar para o Oriente, e se dirigir a uma nova audiência: o Japão. Durante muitos anos, a Rádio Canadá Internacional havia planejado criar uma seção japonesa. Vários testes de transmissão chegaram a ser feitos em Sackville, e em uma outra área perto de Vancouver, na Colúmbia Britânica, mas os resultados nos dois lugares não chegou a ser satisfatório. Na primavera de 1984, a RCI e a Rádio Tanpa (de Tóquio), no Japão fecharam um acordo que determinava que a RCI começaria a transmitir regularmente em Japonês. O primeiro programa foi transmitido em 6 de maio de 1984.

Cinco anos mais tarde, começaria um serviço em Mandarim. O Canadá e a China mantinha estreitas relações desde 1971, quando o Canadá foi o primeiro grande país do mundo ocidental a reconhecer a República Popular da China. Era portando natural que assim que fosse tecnicamente possível atingir a China por ondas curtas, a RCI inaugurasse um serviço em chinês.

Antes de começar a transmitir em ondas curtas, a RCI tinha produzido uma série de 40 lições semanais de inglês chamada Everyday English, que foi transmitida durante o ano de 1988 e começo de 1989 nas estações de rádio locais em Pequim, Xangai e Guangzu. A série tinha como objetivo ensinar o inglês de todos os dias aos ouvintes chineses. Era a primeira vez que uma emissora de rádio internacional oferecia um curso de línguas feito sob medida para um determindo público. Com uma audiência estimada em 20 milhões de "alunos" o curso foi um enorme sucesso.

Enquanto o curso Everyday English era transmitido na China, a RCI se preparava para dar início às transmissões de novos programas em ondas curtas para esse país. Já que Sackville não estava em condições de fornecer regularmente um sinal suficientemente potente para a China, a RCI estabeleceu uma permuta de tempo de difusão com os transmissores da Rádio Japão, em Yamata. Essa permuta permitiu à RCI não somente enviar um sinal mais claro para a China, mas também, melhorar o seu sinal para o Japão, a Ásia Oriental e o sub-continente indiano. Uma vez assinado o acordo com o Japão, os programas começaram em 1 de outubro de 1989.

Apenas 10 meses após o começo da difusão da programação para a China, a RCI deu início a uma série de transmissões em árabe para o Oriente Médio, que coincidiram com a crise no Golfo Pérsico. As primeiras transmissões se resumiam a um boletim de notícias de dez minutos em árabe, inserido nas programações regulares em francês ou em inglês. Pouco tempo depois, essas transmissões passaram a ter 30 minutos e a incluir reportagens e comentários.

Apesar do sucesso do serviço internacional em geral, e em particular o dos novos serviços em árabe e em chinês, a Rádio Canada Internacional teve que enfrentar um grande desafio em 1990 e começo de 1991. O que estava em jogo era a própria sobrevivência da RCI. Nos anos 80, a RCI sofreu vários cortes em seu orçamento, mas nunca consentiu em baixar o padrão de qualidade da programação. Em um certo momento, para garantir esse princípio, a empresa foi mesmo obrigada a deixa o edifício Maison Radio Canada e se transferir para um edifício menor, a um quarteirão de distância.

Diante da recessão econômica do fim da década, o governo canadense foi obrigado a efetuar cortes em todos os serviços. Ainda em 1990, muitos estimaram que a transmissão de uma programação de rádio internacional era um luxo que o Canadá não podia mais se permitir. Deu-se então início a um debate sobre a manutenção da RCI. Logo ficou evidente para a audiência da RCI que sua ligação radiofônica com o Canadá estava ameaçada. Uma campanha informal nasceu espontaneamente e centenas de cartas chegaram aos gabinetes do primeiro-ministro, do ministro das Relações Exteriores e do ministro das Comunicações. Essa campanha influenciou positivamente a decisão em favor da manutenção do serviço.

Pouco antes do final do ano, o governo anunciou que a Rádio Canadá prosseguiria suas atividades. Uma cláusula da nova lei sobre radiodifusão passou a obrigar a SRC a fornecer um serviço de radiodifusão internacional. A RCI estava salva... por enquanto. É certo que a lei de radiodifusão tornava obrigatório um serviço internacional. Mas ela não determinava os meios que financiariam esse serviço. O problema do financiamento, aliás, não tardaria a ressurgir.

No começo de 1991, diante de um novo déficit, o governo decretou novas compressões gerais. Todos os ministérios e todas as empresas públicas, incluindo a Rádio Canadá, foram atingidos. Depois da avaliação de seu orçamento, a Sociedade Rádio Canadá concluiu que não poderia mais manter seu serviço internacional sem um financiamento suplementar do governo federal. Depois de um mês de estudo, o governo decidiu colocar a RCI sob a responsabilidade do Ministério das Relações Exteriores e financiar o serviço com um orçamento independente por um período de 5 anos. A RCI continuaria, no entanto, a ser administrada pela Sociedade Rádio Canadá.

O problema do financiamento não estava resolvido, e a verba alocada à RCI era sensivelmente inferior ao orçamento dos anos anteriores. Para garantir a salvaguarda do serviço, o diretor de programação, Allan Familiant, presidiu uma grande reestruturação que entrou em vigor em 25 de março de 1991. A RCI teve que abandonar 6 dos 13 serviços em línguas estrangeiras: o checo, o alemão, o húngaro, o japonês, o polonês e o português. Os serviços em francês e em inglês sobreviveram, mas todas as suas produções próprias foram substituídas por programas produzidos pela CBC e pela Rádio Canadá.

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História publicada no documento escrito por Andrew K Finnie para a Rádio Canadá (1996)

O serviço internacional em transição

No final de 1954, o serviço internacional da Rádio Canadá transmitia mais de 16 horas de programação diária. Foi durante os últimos meses daquele ano que o serviço sofreu a primeira das várias reorganizações que viriam a se suceder no seu meio século de história. Enquanto o mundo vivia a Guerra Fria e que os orçamentos eram cortados arbitrariamente, o serviço internacional decidiu concentrar seus recursos em programas destinados a audiência da Europa do Leste. Isso significava que certas línguas iriam desaparecer, e outras iriam ganhar destaque.

Uma das conseqüências dessa reorganização foi o encerramento do serviço em finlandês em 29 de janeiro de 1955. Era a primeira vez que um serviço em língua estrangeira era encerrado, mas infelizmente não seria a última. No dia seguinte, uma nova grade de transmissão foi estabelecida. Os serviços em inglês e em francês foram severamente reduzidos. Anteriormente, havia 3 programas em inglês para a Europa, 1 para os estados Unidos, e um para a Austrália e Ásia. Com a nova grade, passou a haver apenas um programa para cada uma das regiões alvo. Um ponto positivo entretanto é que o serviço para a Austrália e Ásia, que era transmitido duas vezes por semana, passou a ser diário.

O serviço em francês sofreu reduções ainda mais severas que o em inglês. Anteriormente, havia 3 programas para a Europa e 1 para o Caribe. Com a mudança, apenas 1 programa para a Europa foi mantido. As reduções também acabaram com os serviços em holandês, em dinamarquês, em norueguês, em português, em espanhol e em sueco. Alguns serviços entretanto se beneficiaram da nova grade. Os programas em alemão passaram de 45 minutos a 1 hora. O serviço em checo e eslovaco, assim como o serviço em polonês, ganharam uma cobertura maior, e o número de programas em russo aumentou em 50%.

A medida que o serviço internacional evoluía, sua programação foi mudando. Em meados dos anos 50 havia uma grande necessidade de programas que falassem das posições do Canadá em relação a situação mundial. Os programas musicais e teatrais, que haviam sido a grande atração do serviço internacional desde a sua criação, passaram com isso a ter um destaque bem menor.

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História publicada no documento escrito por Andrew K Finnie para a Rádio Canadá (1996)

Novo financiamento, novo nome 1968-1971

Mesmo que a audiência nunca tenha percebido, a estrutura do serviço internacional da Rede Canadá sofreu uma grande mudança em abril de 1968. Desde o seu inicio em 1945, o serviço internacional fora sempre administrado pela SRC. Entretanto esse serviço não pertencia à Rádio Canadá. Pelo contrário, ele se estabelecera como uma entidade separada, controlada pelo Parlamento do Canadá e subordinado ao Ministério das Relações Exteriores. Todos os anos, o Parlamento aprovava um orçamento separado para o serviço internacional, com fundos alocados especificamente para financiar esse serviço. Isso mudou em 1968, quando o serviço internacional passou a ser parte integrante da estrutura financeira da Sociedade Rádio Canadá. A partir de então, o financiamento do serviço internacional passou a sair do orçamento geral da Rádio Canadá.

Outra mudança significativa que ocorreu nesse período foi a mudança do nome do serviço internacional. Em julho de 1970, o serviço foi rebatizado de Rádio Canadá Internacional. Essa mudança de nome foi necessária porque a RCI precisava de uma identidade própria, diferente daquela da rede doméstica da SRC. O acréscimo do termo internacional ao nome Rádio Canadá criou a distinção entre as duas redes.

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História publicada no documento escrito por Andrew K Finnie para a Rádio Canadá (1996)

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